Enganei-me, enganei-me – paciência!
Acreditei às vozes, cri, Ormia,
Que a tua singeleza igualaria
À tua mais que angélica aparência.
Enganei-me, enganei-me – paciência!
Ao menos conheci que não devia
Pôr nas mãos de uma externa galhardia
O prazer, o sossego e a inocência.
Enganei-me, cruel, com teu semblante,
E nada me admiro de faltares,
Que esse teu sexo nunca foi constante.
Mas tu perdeste mais em me enganares:
Que tu não acharás um firme amante,
E eu posso de traidoras ter milhares.
Nathan Ferraz; Nº 31; 1º E
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
4
Ainda que de Laura esteja ausente,
Há de a chama durar no peito amante;
Que existe retratado o seu semblante,
Se não nos olhos meus, na minha mente.
Mil vezes finjo vê-la, e eternamente
Abraço a sombra vã; só neste instante
Conheço que ela está de mim distante,
Que tudo é ilusão que esta alma sente.
Talvez que ao bem de a ver amor resista;
Porque minha paixão, que aos céus é grata,
Por inocente assim melhor persista;
Pois quando só na idéia ma retrata,
Debuxa os dotes com que prende, vista,
Esconde as obras com que ofende, ingrata.
Lucas nº: 24 1º ano E
Ainda que de Laura esteja ausente,
Há de a chama durar no peito amante;
Que existe retratado o seu semblante,
Se não nos olhos meus, na minha mente.
Mil vezes finjo vê-la, e eternamente
Abraço a sombra vã; só neste instante
Conheço que ela está de mim distante,
Que tudo é ilusão que esta alma sente.
Talvez que ao bem de a ver amor resista;
Porque minha paixão, que aos céus é grata,
Por inocente assim melhor persista;
Pois quando só na idéia ma retrata,
Debuxa os dotes com que prende, vista,
Esconde as obras com que ofende, ingrata.
Lucas nº: 24 1º ano E
11
Com pesadas cadeias manietado,
Às vozes da razão ensurdecido,
Dos céus, de mim, dos homens esquecido,
Me vi de amor nas trevas sepultado.
Ali aliviava o meu cuidado
C’o dar de quando em quando algum gemido.
Ah! tempo! Que, somente refletido,
Me fazes entre as ditas desgraçado.
Assim vivia, quando a falsidade
De Laura me tornou num breve dia
Quanto a razão não pôde em longa idade:
Quebrei o vil grilhão que me oprimia!
Oh! feliz de quem goza a liberdade,
Bem que venha por mãos da aleivosia!
Com pesadas cadeias manietado,
Às vozes da razão ensurdecido,
Dos céus, de mim, dos homens esquecido,
Me vi de amor nas trevas sepultado.
Ali aliviava o meu cuidado
C’o dar de quando em quando algum gemido.
Ah! tempo! Que, somente refletido,
Me fazes entre as ditas desgraçado.
Assim vivia, quando a falsidade
De Laura me tornou num breve dia
Quanto a razão não pôde em longa idade:
Quebrei o vil grilhão que me oprimia!
Oh! feliz de quem goza a liberdade,
Bem que venha por mãos da aleivosia!
sábado, 31 de agosto de 2013
Lira V Parte III
Eu não sou, minha Nise, pegureiro
Que viva de guardar alheio gado;
Nem sou pastor grosseiro,
Dos frios gelos e do sol queimado,
Que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
Mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d’ouro;
Mas povos mando, e na testa altiva
Verdeja a coroa do sagrado louro
.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Maldito seja aquele que só trata
De contar, escondido, a vil riqueza,
Que, cego, se arrebata
Em buscar nos avós a vã nobreza,
Com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
Por falsos bens, que enganam, não reputo;
Mas antes mais desejo:
Não para me voltar soberbo em bruto,
Por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Pela ninfa, que jaz vertida em louro
,
O grande deus Apolo não delira?
Jove, mudado em touro
E já mudado em velha não suspira?
Seguir aos deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Pertendam Anibais honrar a História,
Cinjam com a mão, de sangue cheia,
Os louros da vitória;
Eu revolvo os teus dons na minha idéia:
Só dons que vêm do céu são minha glória.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Thiago Soares; Nº 37; 1ºE
Que viva de guardar alheio gado;
Nem sou pastor grosseiro,
Dos frios gelos e do sol queimado,
Que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
Mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d’ouro;
Mas povos mando, e na testa altiva
Verdeja a coroa do sagrado louro
.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Maldito seja aquele que só trata
De contar, escondido, a vil riqueza,
Que, cego, se arrebata
Em buscar nos avós a vã nobreza,
Com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
Por falsos bens, que enganam, não reputo;
Mas antes mais desejo:
Não para me voltar soberbo em bruto,
Por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Pela ninfa, que jaz vertida em louro
,
O grande deus Apolo não delira?
Jove, mudado em touro
E já mudado em velha não suspira?
Seguir aos deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Pertendam Anibais honrar a História,
Cinjam com a mão, de sangue cheia,
Os louros da vitória;
Eu revolvo os teus dons na minha idéia:
Só dons que vêm do céu são minha glória.
Graças, ó Nise bela,
Graças à minha estrela!
Thiago Soares; Nº 37; 1ºE
Lira VI Parte III
Amor, que seus passos
Ligeiro movia
Por mil embaraços
que um bosque tecia,
Nos ombros me acena
Com brando raminho;
E logo me ordena
Que siga o caminho.
Por entre a espessura
Do bosque me avanço;
E atrás da ventura,
Incauto, me lanço.
Já tinha calcado
Os montes mais duros,
co peito rasgado
os rios escuros:
Eis que uma serpente,
A língua vibrando,
Me crava o seu dente,
Me deixa expirando.
Então, surpreendida
Da dor que a traspassa,
Minha alma ferida
Aos beiços se passa.
As iras detesta
Amor. Isto vendo,
E as asas na testa
Me bate, dizendo:
"Tu choras, tu gemes,
da serpe tocado,
e o braço não temes
de um númen irado?"
Nathan Ferraz; Nº 31; 1º E
Ligeiro movia
Por mil embaraços
que um bosque tecia,
Nos ombros me acena
Com brando raminho;
E logo me ordena
Que siga o caminho.
Por entre a espessura
Do bosque me avanço;
E atrás da ventura,
Incauto, me lanço.
Já tinha calcado
Os montes mais duros,
co peito rasgado
os rios escuros:
Eis que uma serpente,
A língua vibrando,
Me crava o seu dente,
Me deixa expirando.
Então, surpreendida
Da dor que a traspassa,
Minha alma ferida
Aos beiços se passa.
As iras detesta
Amor. Isto vendo,
E as asas na testa
Me bate, dizendo:
"Tu choras, tu gemes,
da serpe tocado,
e o braço não temes
de um númen irado?"
Nathan Ferraz; Nº 31; 1º E
Lira IX
Chegou-se o dia mais triste
Que o dia da morte feia
Caí do trono, Dircéia,
Do trono dos braços teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
Os doces laços quebrar-me,
Por vingança quer levar-me
Distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
Que neste fatal instante
Há de ser o teu semblante
Mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
E crês, Dircéia, que devem
Ver meus olhos penduradas
Ver meus olhos penduradas
Tristes lágrimas salgadas
Correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
Que puderam, piedosos,
De tristes em venturosos
Converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
Que, terno e sossegados,
Enchem de flores os prados,
Enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
Que domam tigres valentes,
Que nem rígidas serpentes
Resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
Enquanto foram ditosos,
Agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
Rasgando os ares cinzentos;
Virão nas asas dos ventos
Buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
Pois os solto a teu respeito,
Dá-lhes abrigo no peito,
Junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
E quando tornar a ver-te,
Ajuntando rosto a rosto,
Entre os que dermos de gosto,
Restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Chegou-se o dia mais triste
Que o dia da morte feia
Caí do trono, Dircéia,
Do trono dos braços teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
Os doces laços quebrar-me,
Por vingança quer levar-me
Distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
Que neste fatal instante
Há de ser o teu semblante
Mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
E crês, Dircéia, que devem
Ver meus olhos penduradas
Ver meus olhos penduradas
Tristes lágrimas salgadas
Correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
Que puderam, piedosos,
De tristes em venturosos
Converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
Que, terno e sossegados,
Enchem de flores os prados,
Enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
Que domam tigres valentes,
Que nem rígidas serpentes
Resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
Enquanto foram ditosos,
Agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
Rasgando os ares cinzentos;
Virão nas asas dos ventos
Buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
Pois os solto a teu respeito,
Dá-lhes abrigo no peito,
Junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
E quando tornar a ver-te,
Ajuntando rosto a rosto,
Entre os que dermos de gosto,
Restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te, meu bem, adeus!
Interpretação: Nesta
lira, o autor, diz que chega o dia de Dirceu ir embora por causa da sua participação na Inconfidência Mineira, na
lira, diz que tem que ir embora dos braços de Marília, porém ele não tem
vontade de ir embora e de se despedir de Marília pois não quer vê-la chorar,
diz também que para sempre em seu
pensamento estará o rosto e sua amada. Ele fala que os olhos de Marília
são capazes de mudar o seu e dia que tais olhos podem encher o campo de flores,
podem domar tigres selvagens, e que nem mesmo rígidas serpentes resistem á
eles, nesta parte entendo que Dirceu diz que os olhos de Marília podem
apaixonar qualquer um, e que mesmos os mais valentes conseguem resistir á eles.
Dirceu fala que os seus suspiros, virão buscar Marília,
porém diz que talvez não cheguem por alguma intervenção, mas se chegarem,
Marília deveria guardá-los no peito junto aos suspiros dela. E quando voltar a
vê-la quer então que ela devolva os suspiros dele.
Características do
Arcadismo: Idealização da mulher amada, pois fala sobre os olhos de
Marília; Objetividade, pois se enrolar fala logo o que está sentindo no
momento.
Situação Histórica:
Dirceu estava sendo levado embora do Brasil, pois participou da inconfidência
mineira.
Glossário:
Fado: destino
Funesto: fatal, mortal.
Venturosos: felizes.
Douglas Vieira
N°:09
1°E
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Lira II
Em vão do amado
filho que foge,
Vênus quer hoje
notícias ter.
Sagaz e astuto
ele se esconde
em parte aonde
ninguém o vê.
Dos sinais dados,
bem se conhece que ele aborrece
a mãe que tem.
Se os seus defeitos
Ela publica,
razão lhe fica
de se ofender.
Foge o menino
e, disfarçado,
vive abrigado
numa cruel.
Com mil carícias
a ímpia o trata;
nem o desata
do peito seu.
Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher.
Ah! se o teu nome,
Marília, calo,
que de ti falo
bem podes crer.
Mateus Lopes nº 42 1º ano E
Em vão do amado
filho que foge,
Vênus quer hoje
notícias ter.
Sagaz e astuto
ele se esconde
em parte aonde
ninguém o vê.
Dos sinais dados,
bem se conhece que ele aborrece
a mãe que tem.
Se os seus defeitos
Ela publica,
razão lhe fica
de se ofender.
Foge o menino
e, disfarçado,
vive abrigado
numa cruel.
Com mil carícias
a ímpia o trata;
nem o desata
do peito seu.
Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher.
Ah! se o teu nome,
Marília, calo,
que de ti falo
bem podes crer.
Mateus Lopes nº 42 1º ano E
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